Mostrando postagens com marcador fala livre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fala livre. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 21 de abril de 2009

A música

Um dia a garota ouviu a música.

A música mexeu com ela. Pareceu adivinhar os seus pensamentos, os seus sentimentos.

E não eram só as letras e os versos. A melodia atingia em fundo um ponto dela que nunca tinha sido tocado. Cada acorde, cada tom, cada nota arrepiava um pêlo diferente de seu braço.

E ao chegar no refrão... o refrão lhe deu um frio na espinha. Um meio sorriso em seus lábios, e um traço de lágrima no canto do olho...

Talvez se escutasse mais acabaria encontrando a felicidade eterna... ou talvez apenas a angústia mais profunda (mas uma angústia confortável).

De qualquer forma não sabia se conseguiria ouvir mais naquele momento... se não deamaiaria... e parou, para voltar a ouvi-la mais tarde.

Naquele dia ela descobriu a música... e a música a descobriu.

domingo, 5 de abril de 2009

Qual é a cor do seu 6?

Quando eu era criança ganhei um carrinho de metal. Desses que as pessoas colecionam. Mas eu não brincava com ele, eu não gostei dele. Eu tinha outros carrinhos, mas daquele eu não gostei. A razão? A cor dele tinha um gosto enjoado. Não confundam: eu não tentava comer o carro ou enfiar ele na boca. Olhar pra ele me fazia sentir o gosto da cor. E essa cor me dava náuseas profundas. Pedi pro meu irmão jogar o carrinho no lixo.

Mais ou menos na mesma época minha mãe falou, no mês de junho, que a gente viajaria para o Rio de Janeiro em novembro. Chegou agosto e eu perguntei: "ué, a gente não vai?" Eu tinha confundido agosto com novembro, e minha mãe até riu porque os nomes dos meses nem se parecem. A verdade é que eu confundi porque pra mim os dois meses eram avermelhados. Um vermelho escuro, mas fraco, meio rosado.

E no meio de tudo isso eu também sabia que o 4 é laranja, que o 6 é verde, o 1 é preto...

Fui crescendo e tenho deixado de sentir tanto essas coisas (ou pelo menos deixado de prestar atenção nelas), mas sei que ainda as tenho. Por exemplo, eu continuo sentindo o cheiro de certos sentimentos.

Há um tempo atrás eu li na superinteressante que tem um fenômeno neurológico chamado "sinestesia". É verdade que há uma figura de linguagem na língua portuguesa, mas que provavelmente nasceu de poetas e escritores que foram inspirados por essa condição. É como falar do "som doce de suas palavras", "a cor calma dos olhos", etc.

Como eu disse, a sinestesia não é uma situação psicológica, é neurológica. Me desculpem a falta de conhecimentos ao falar disso aqui, e nem na internet eu achei isso direito, daí como não estou com a revista superinteressante na mão não vou poder dizer exatamente o que causa a sinestesia, mas é mais ou menos o seguinte: quando nascemos somos todos sinestetas ("portadores" da sinestesia). Com o desenvolvimento dos nossos neurônios e sinapses, por volta dos 3 anos de idade, algo vai apurando os sentidos e especificando-os no nosso cérebro. Algumas pessoas não passam - ou passam menos - por esse processo. Elas se tornam sinestetas, ou sinestésicos.

Há diversos tipos de sinestesia: táctil, olfativa, auditiva, visual, gustativa e combinações múltiplas entre elas

Não é algo que se deva confundir com memória. Há pessoas que acham que têm sinestesia apenas porque pensam em um gosto ou em um cheiro e logo pensam lembram de alguma situação ou vice-versa, isso porque vivenciaram naquela situação aquele gosto ou aquele cheiro. Isso é ativação da memória e associação das sensações e não sinestesia. Por exemplo: dizer que quando você lembra da sua infância sente cheiro de chuva ou gosto de tangerina é ativação da memória com algo que marcou sua infância...

Já li também que é uma condição (e não doença já que não causa mal) que uma em cada 15 mil pessoas têm.

Eu não sei se ainda posso me considerar um sinesteta, porque apesar de ainda sentir coisas as vezes, não é mais tão constante ou vivo quando era na minha infância.

De qualquer forma continuo achando a sinestesia uma benção.. a pessoa que a tem conhece um mundo só seu, que ninguém mais (a não ser raríssimas pessoas) disso iriam poder compartilhar.

terça-feira, 31 de março de 2009

Guia de Sobrevivência em Mossoró

Devo começar este texto esclarecendo que ele não tem intenção nenhuma de ofender (mesmo porque, até segunda ordem, eu agora faço parte da população mossoroense). Minha idéia foi relatar observações sobre a cidade. Fatos empíricos.


1- O calor de Mossoró é famoso. Eu não precisava nem citá-lo. Mas, ao contrário do que eu pensava antes de vir morar aqui, não é apenas porque fica longe do litoral. A impressão que dá é que o sol escolheu exatamente esta cidade para ser masi forte e mais brilhante. O sol entre as 10 e as 16 horas aqui não causa apenas o risco de câncer de pele, causa risco de carbonização. Aliás, fala-se aqui que mossoró tem 4 estações do ano bem definidas: Verão, mormaço, calor e quintura.


2-As ruas são feitas de Sonrisal. Basta cair uma chuva que elas dissolvem. A cada dia aparece um buraco novo. Cada saída é mais um Rally.


3- Falando em chuvas, Mossoró possui 9 meses de seca e 3 meses de dilúvio. A chuva de Mossoró, quando cai, cai com raiva. Aqui não existe "chuviscar". Se é pra chover, chove muito.


4- O trânsito em Mossoró não é um caos. Reconheço que todo esse tempo aqui eu nunca fiquei preso com engarrafamento (em Natal era comum). Em compensação a educação no trânsito é horrível. As pessoas não perdem a oportunidade de avançar um sinal vermelho. Há muitos motoqueiros e o esporte preferido deles é ultrapassar pela direita (já quase matei dois).


5-Estacionar no centro da cidade em horário comercial é uma façanha comparável à visão de um OVNI. Isso porque todo mundo tem que ter carro ou moto, tendo em vista que o transporte público é mais raro que as vagas do centro. Aliás, pelo mesmo motivo tem muito mototaxista. Muito.


6-Aqui não tem banca de revistas. Até hoje eu ão consegui entender como uma cidade de 250000 habitantes não possui revistarias. Só vi uma loja no centro chamada "casa da revista". De resto só se vê jornais sendo vendidos nas farmácias ou perto dos caixas de supermercado.


7-Falando em supermercado, aqui só um tm ar-condicionado. Por enquanto ele ainda é o melhor daqui (outros serão abertos). Mesmo assim não compreendo como ele pode ser tão sujo. Não, não é uma imundície de feira livre, mas eu falo isso comparando com os supermercados grandes de Natal, que apesar do tamanho têm os corredores bem limpinhos. Se eles conseguem porque esse pequeno não consegue? E aparentemente as pessoas não ligam. Na padaria do supermercado, certo dia, tinha duas moscas varejeiras dentro da vitrine, junto com os pães. Ninguém reclamavam compravam mesmo assim. Eu não comprei. Pão não dá pra lavar, né?


8- Mossoró não tem a principal vantagem de cidades de interior: preços baratos. Os produtos e serviços aqui são tão ou mais caros do que na capital.


9-O Shopping de Mossoró é, em parte, decepcionante. É um shopping perfeito pro tamanho da cidade, só que com quase dois anos de existência metade das lojas ainda estão fechadas! E o cinema? Nem lá nem em lugar nenhum... Mossoró não tem cinema...


10-Mossoroense, em geral, é ufanista. Não é realmente um defeito. Eu acho bonito a pessoa ter orgulho da própria terra. Só que tem coisa que eu acho difícil de ouvir do tipo: "Natal não presta, Mossoró é bem melhor". Minha nossa... Posso dizer sem medo que a qualdiade de vida na capital é melhor. E eu não sou um defensor ferrenho de Natal. Nem natalense sou.


A verdade é que apesar de tudo isso eu estou bem em Mossoró, e o que mais me anima é o potencial de crescimento que ela tem. A quantidade de projetos, os investimentos que aparecem, eu tenho certeza que em alguns anos vai ser até difícil de reconhecer. Aliás, se eu for para pra pensar bem, muitas das coisas que eu acho ruins de Mossoró hoje em dia eram da mesma forma em Natal quando eu cheguei em 89.


Uma coisa que tenho concluído é que é totalmente possível ser feliz em qualquer lugar. Só depende de si mesmo.


quarta-feira, 25 de março de 2009

Cogito, Ergo Sum um FDP

Navegando na net eu me deparo com esse retrato do grande pensador René Descartes:Eu não sei porque eu fico com isso na cabeça... me perdoem se eu não conseguir explicar...

Mas essa fisionomia dele, esse olhar cínico e superior... a impressão que me passa é que ele é do tipo professor de universidade, que você vai lá falar com ele (com toda a educação e justificativas plausíveis) pedindo uma nova data pra entregar um trabalho.

Daí ele, impassivo, olha pra você e simplesmente diz: "O trabalho é para ser entregue hoje. Se não entregar fica com zero."...

Alguém tem a mesma impressão?

... professor FDP.

domingo, 22 de março de 2009

Parte de mim ou "só sei que nada sei"

Uma das verdades sobre mim é que eu sei um pouco de tudo e muito de nada...


Talvez por gostar muito de ler eu tenha um leque bem amplo do que se chama de "conhecimento inútil". Pergunte uma curiosidade pra mim que eu vou saber ou já vou ter ouvido falar.


Mas quando se trata de algo específico, mais aprofundado eu dificilmente vou lidar bem com isso. É por essa razão que nunca me saio bem tentando esclarecer uma dúvida jurídica de alguém ou em uma discussão sobre o mesmo tema (só um de vários exemplos possíveis).


Não acredito que seja apenas com assuntos que me interessam pouco. O mesmo tipo de constrangimento já foi passado ao tratar de bandas, histórias, enfim, de temas que eu gosto.


Acho que a única coisa que eu conheço mais aprofundadamente, e mais do que ninguém, sou eu mesmo. A minha natureza e o meu interior.


Engraçado... ainda assim é o que me leva às maiores dúvidas.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Originalidade uma quimera

Um dos maiores bloqueios que eu tenho quando quero escrever é a dificuldade em ser original.


Sempre acabo pensando em uma idéia que alguém já teve, ou como seria legal ter a idéia antes... Quem me dera ter  a imaginação e disposição do tamanho da de Tolkien pra criar um mundo inteiro em várias eras ou a loucura dos roteiristas de lost pra criar uma coisa tão montanhosa como aquela série.


Conversando sobre o assunto com um amigo ele me esclareceu o ponto de vista dele, com o qual eu concordo, de que,  em geral, ninguém cria nada 100% original. Tudo o que uma pessoa imagina ou inventa tem a ver com as experiências que teve (os livros que leu, as coisas que aprendeu, que viveu).  Nem Tolkien foi original. Ele se baseou na mitologia nórdica para criar seus elfos e anões, e os roteiristas de lost tanto se inspiram que fazem questão de mencionar de forma implícita o que os inspirou (menção a personagens de stephen king, teorias metafísicas de stephen hawking, etc). É praticamente impossível ser uma tábula rasa e aparecer com algo genial. O que torna algo original são os detalhes...Aliás, pelo visto a "cópia que gera originalidade" não tem limites... Se não houvesse Tolkien, não haveria Dungeons & Dragons, se não houvesse Dungeons & Dragons não haveria o Desenho que marcou a infância de toda a minha geração: "A Caverna do Dragão..."


Convencido de que original é pegar algo feito e colocar ali a sua marca, deixando perfeito para si, eu vejo que não devo me preocupar tanto com isso. Aliás, preocupação em excesso deve ser o que mais prejudica a criatividade e, portanto, a originalidade.


Eu me lembro do começo da faculdade, em que eu inventei, sem pretensão nenhuma, um personagem chamado "Bolinha Feliz" e várias tirinhas tendo ela como protagonista. Nada de muito elaborado, só um humor inocente e nonsense, mas que todos os meus colegas que viram gostaram...


E por falar em falta de pretensão, coincidentemente acabo de me deparar com este video na internet: Ben, um garoto de 14 anos, vendo como iminente o fato de seu pai perder o emprego, criou um video contando rapidamente essa história e pedindo um emprego para o seu pai de uma forma bem original



Pois é... a originalidade desse garoto é inspirada em um clipe da banda INXS que por sua vez foi inspirado por um video do cantor Bob Dylan... e por aí vai.

terça-feira, 17 de março de 2009

Endorfina em alta



Pedindo licença para roubar parcialmente o tema do post de uma amiga.

Em geral, depois da idade adulta, o homem começa a desenvolver a famosa barriguinha.

Já tem uns 7 anos que eu cultivo a minha e, entre um período de musculação e outro, nunca consegui perder. Digo entre um período e outro porque, pelas minhas contas, já fiz academia umas 5 vezes distintas. A que durou mais tempo foi uns 4 meses.

Nessa minha nova fase de vida, em que eu dei um chutão nos estudos, acabei tendo horas de ócio improdutivo, entediante e deprimente. Me decidi então por fazer um esporte.

Pois é, de um fui pra dois. Me inscrevi pra natação e musculação. Três dias por semana cada uma, sendo que em um dia faço os dois. A primeira semana é a comprovação do quanto se está fora de forma: dores... cansaço.. cãibras ... pessoas ao redor que não têm barriguinha...

Agora estou na terceira semana e estou adorando. Eu senti a endorfina. Ela existe! Andei lendo por aí que a endorfina é equivalente a uma droga opióide que tira a dor e estimula centros de prazer (inclusive diz-se que etimologicamente é a junção das palavras "endo" e "morfina"). Não faz mal por ser produzida no próprio organismo a medida que fazemos o exercício e necessitamos dela.

Não, eu não tenho me sentido um drogado. Não ando dizendo para os colegas de academia que eu os amo ou fico curtindo o incrível movimento do ventilador. Mas a verdade é que eu saio do exercício com uma incrível sensação de bem-estar, achando a lua bonita, achando as ruas bonitas, com vontade de cantar uma bela canção (nada fora do controle, claro).

A endorfina está sendo minha amiga e inclusive eu já me sinto um pouco viciado nela. Pela primeira vez em muito tempo eu tenho motivo pra querer que a semana comece: aquela sensação.

Eu sei que eu já passei por isso antes e acabei desanimando e desistindo. Mas espero manter dessa vez. Agora sou mais adulto, tenho mais noção do que quero e não tenho desculpas como estudar para a OAB ou fazer uma monografia para me tirarem disso.

E a natação. Poxa, quem diria, depois de 18 anos que eu fosse gostar de natação. Pois é. Quando eu tinha 9 anos fiquei traumatizado com um professor sacana que eu tinha que, por exemplo, ria quando eu tentava fazer alguns nados. Mas agora até o cheiro de cloro me faz falta (e não tem nada melhor do que se exercitar na água em uma cidade como mossoró).

Por enquanto eu ainda não faltei nem um dia e espero manter a animação.

Comecei os exercícios pelo físico e pela saúde, espero me manter pelo bem-estar... A ironia do exercício físico é que o que deveria nos cansar é o que dá mais disposição...

Finalizo aqui dizendo que nada pra mim parece vir fácil... acabou que ontem a piscina do SESC teve um problema em sua estrutura e está interditada sem previsão de retorno. Por enquanto vou ficando só na musculação, mas ô raiva, viu?

quinta-feira, 12 de março de 2009

Quero mais tempo para o tempo

(legal que com a reforma ortográfica que tirou o acento de "pára" esse título ficou ambíguo)




Hoje é quinta-feira, e eu podia jurar que ontem foi domingo.

Não estou falando de forma literal, mas também não estou brincando. O tempo está passando cada vez mais rápido!

Eu me lembro de quando eu tinha de 7 pra 8 anos o ano de 89 demorou uma eternidade pra acabar, e agora a sensação que eu tenho é que o ano começou semana passada...

Quando eu estava com 16 anos tentei teorizar isso. Chamei de "teoria da relatividade sensorial". Claro que de teoria não tinha nada. Não cheguei a fazer estudos nem pesquisa e nem mesmo problematizei a hipótese. Foi apenas a constatação perceptível de um fato... que acontecia comigo. E que provavelmente acontece com todo mundo, mais eu não sei.

Talvez eu seja apenas um leigo falando besteira e isso tudo já faça parte de estudos de psicologia e neurociência, mas eu precisava falar que to cada vez mais pasmo com isso.

Talvez tenha a ver com a proporção: quando eu tinha 5 anos um ano era 1/5 da minha vida. Realmente muita coisa. Agora que estou com 27 anos, um ano é 1/27 da minha vida! É como se a impressão de um ano que eu tinha aos 5 anos fosse o equivalente a 5 anos e 3 meses pra mim atualmente. Ou como se o que eu sinto de um ano agora fosse apenas uns dois meses e alguns dias para a sensação que eu tinha aos 5 anos.

E será que isso não vai ter mais limites? Se for assim, levando em conta a sensação temporal que um ano está significando pra mim hoje, e que exponencialmente cada vez ele vai significar menos, a sensação de um ano passado hoje vai acabar sendo a época em que meu filho vai estar indo à escola... mais um desses anos e ele vai estar casando... e com mais um eu vou estar com meus netos e perto de morrer...

Estava pensando neste post desde ontem e acabou que eu não fiquei satisfeito com ele... e sabem o que é pior? Escrevê-lo me tirou tempo... tempo que eu não podia perder porque ele acaba!

Então vou completar essa idéia com outra antagônica. O tempo não existe. Se você está parado num ponto no meio do espaço, longe de qualquer planeta e de qualquer movimento de rotação e translação quantos minutos, horas ou dias estão se passando? Se não há referencial (um pêndulo, um sol nascendo e se pondo, um objeto em velocidade diferente da sua) não há tempo. O tempo é uma criação... feita pra coincidir com forças físicas e químicas e com nosso ciclo biológico. Na verdade todas as épocas existem. Ponto. É a 4ª Dimensão.

Na verdade eu não sou físico... nem astrônomo... nem nunca cheguei nem perto de ter algum conhecimento profundo disso tudo. Mas de uma coisa eu tenho certeza, e vocês podem perceber: o tempo me deixa louco.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Chico

Sabem... eu tenho um cão imaginário.


O nome dele é Chico e ele é um Teckel pêlo longo (raça mais conhecida em sua versão de pêlo curto como Salsichinha ou Cofap).


Chico já é meu cãozinho imaginário há pelo menos 4 anos. Vocês não fazem idéia do cão maravilhoso que ele é. Ele sabe quando eu to triste, e vem abanando o rabo bem de leve, tímido, cheirando minha mão sem desgrudar o olhar do meu rosto. Aí ele dá uma lambidinha na ponta dos meus dedos pra fazer eu abrir um sorriso e fazer um afago nele. Ele sabe que isso faz tão bem pra mim quanto pra ele.


Chico não é um cão manequim, que não faz nada. Ele é bem peralta pra dizer a verdade. Já mastigou alguns chinelos e alguns livros nossos. Mas depois que a gente ensinou que não pode fazer ele aprendeu. Ele é muito inteligente.


É muito bom chegar em casa e ser recebido por ele. Ele demonstra uma felicidade enorme por a gente ter voltado. Parece até que somos os heróis dele. Faz a gente se sentir especial... e tudo que a gente precisa fazer é dar um carinho aqui e ali e um pouco de atenção.


Não late mais dentro de casa. Aliás, ele só late quando a gente tá brincando na rua, ou quando algum estranho vem falar comigo sem cumprimentar ele também.


É verdade. Ele se acha gente. O que só pode ser muita megalomania, porque nem um cãozinho de verdade ele é ainda! E talvez ainda deixe de ser por um tempo... mais uma vez vamos usar a razão e adiar a transformação de chico em realidade. Faço isso não pensando só em mim, no trabalho que eu ia ter, que na verdade seria um prazer. Penso mais na dedicação e tempo que ele precisaria da gente e não poderíamos dar... e meu chico não é um cão qualquer. Ele merece atenção. Ele merece ser um cãozinho feliz...


Eu não sei por quanto tempo Chico vai ser um cãozinho imaginário. Mas eu vou transformá-lo em real... eu prometo. Nem que precise procurar a fada azul pra isso.


Até logo, Chico...


quarta-feira, 4 de março de 2009

Palíndromos

Um palíndromo é uma palavra, frase ou qualquer outra sequência de unidades que tenha a propriedade de poder ser lida tanto da direita para a esquerda como da esquerda para a direita. Num palíndromo, normalmente são desconsiderados os sinais ortográficos, assim como o espaços entre palavras.

Quem nunca brincou quando criança dizendo que o contrário de ana é ana e o de ovo é ovo? Animal é lâmina e Marrocos é socorram?

Seguem abaixo alguns que achei muito bons (nenhum é de minha autoria):

"Reter e rever para prever e ter"


"Socorram-me, subi no ônibus em Marrcos"


"Luza Rocelina,  a namorada do Manuel, leu na moda romana: anil é cor azul"

"A droga do dote é todo da gorda"

"A Rita sobre o vovô verbos atira"


"Roma me tem amor e o poeta ama até o pó" (mudando a ordem das frases)

Adoro mexer com palavras, mas não tenho paciência para inventar essas coisas.

segunda-feira, 2 de março de 2009

O que eu vou ser quando eu crescer?

No ano encerrado eu tomei algumas resoluções pra minha vida. A principal é que eu cansei de viver estudando pra concursos, buscando a possibilidade de ingressar em carreiras para as quais não tenho vocação.

Sim, vocação... engraçado é que quando eu quis fazer Direito e fui aprovado no vestibular eu tinha a certeza absoluta de que era a minha vocação. Afinal era a vocação da minha mãe com quem sempre me identifiquei, era a previsão de alguns professores do segundo grau que diziam que eu tinha jeito. Nem o teste vocacional oferecido pela minha escola eu quis fazer. Afinal, meu negócio era Direito.


Na escolha da segunda opção de curso, no formulário do vestibular, eu coloquei um curso mais concorrido que Direito: Psicologia. Mas se era segunda opção eu devia ter escolhido um curso com pouca concorrência! Ué, pra que? Meu negócio era Direito. E eu ia ser bom.


A verdade é que bastou um semestre pra eu desconfiar que não era minha vocação. Com mais uns quatro semestres eu tive certeza, mas aí já era tarde demais pra deixar um curso pela metade, ainda mais pra alguém que sempre quis ter independência financeira.


Me formei, fui chamado em um concurso em que eu praticamente trabalho direto na área da minha graduação. Mas vale salientar: pro paradigma do bacharelado jurídico o meu cargo é muito abaixo das possibilidades.


O sonho de 90% dos bacharéis em Direito é ser Juiz, Promotor, Procurador, Auditor, Delegado, Advogado... e eu acabei indo na onda: “tenho que estudar, tenho que passar, tenho que ganhar dinheiro, tenho que...” ... viver? Já tava me esquecendo de viver. De fazer o que eu gosto, de deixar de adiar planos.


O que eu sempre ouvi nesse meu tempo de concurseiro foi: “o sacrifício é temporário, depois vem a recompensa”; “a dor é passageira o cargo é para sempre”, etc. Mas aí no meio de tudo isso eu descobri o que sempre tentaram nos ensinar na TV ou em livros de auto-ajuda: dinheiro é necessário, mas não é tudo. Eu me imagino um jurista infeliz, trabalhando no que não quero em tempo integral, e usando um pedacinho daquele meu gordo salário pra pagar uma terapia.


E qual é a minha vocação? Eu gosto muito de escrever. Talvez este blog seja a minha vocação. Eu posso não escrever bem, perfeitamente ou de forma interessante, mas é o que eu gosto. Quem me dera viver disso, mas se não posso, espero poder continuar fazendo isso.


Eu ainda acredito naquela idéia de que as pessoas são felizes fazendo aquilo que gostam. Eu quero fazer o que eu gosto. Meu emprego é um detalhe. Serve pras minhas outras necessidades e não toma tanto tempo.


Engraçado que eu acho que se hoje eu estivesse em ano de vestibular e tivesse que escolher um curso eu não escolheria letras. Aliás, eu já comecei o curso de letras, mas me desiludi quando vi que 80% era voltado a ensinar o graduando a ser professor. Eu escolheria alguma profissão que tivesse ligação com animais ou plantas... veterinária, biologia...


De qualquer forma eu descobri que tudo que eu gosto dá pra ter um espaço na minha vida: animais, escrita, leitura, música... a profissão é só minha subsistência.


O que eu quero ser quando eu crescer? Feliz...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Insônia

Eu bem me lembro de quando eu era criança e lavava o rosto para conseguir ficar acordado até tarde e ver o filme da sessão das dez... mas adormecia.


E quando eu era adolescente e no fim de semana tomava café, porque eu tinha a idéia fixa de que de madrugada passavam filmes fantásticos  e queria virar a noite(e não estava de todo errado. Alguns filmes de mistério e ficções eram muito bons).


Mas no fim das contas o sono nunca foi um problema para mim. Sempre fui condicionado a deitar, pensar em certas coisas e adormecer, ou deixar a TV no timer e dormir ouvindo seu som. A não ser de forma proposital, ou com algum problema físico, eu nunca ficava privado de sono..


Mas eu conheci a insônia. No fim do ano passado e início desses eu vivi , por um conjunto de fatores, esse pequeno inferno. A insônia é uma besteira pra quem nunca a teve. Eu achava ela até meio romântica - a pessoa bem desperta, acordada sozinha, no silêncio da noite, vendo o que ninguém mais vê, enquanto todos os outros desperdiçam seu tempo na terra dos sonhos.


Mas não... a insônia não é bonita. Ela é horrível... o pesadelo acordado.


Eu cheguei a ficar mais de 40 horas sem conseguir pregar o olho. E eu tentei. Deitava pra cochilar, fechava os olhos, tomava chá, relaxava. Mas o sono não vinha e o desespero era enorme. Ao fim dessas 42 horas eu já me sentia mais zumbi do que humano.


E depois eu ainda tive outros dias de insônia. A insônia é uma tortura... privar alguém de sono é um castigo físico e moral. E pode haver quem ache graça ou medo disso: eu vi e ouvi coisas nesse período. Mediunidade ou alucinação? (eu acabo acreditando que é um pouco de cada, mas sobre mediunidade eu deixo pra falar depois). E tem mais um detalhe da insônia: ela traumatiza. Por várias vezes enquanto a noite chegava eu já começava a ter o medo de que o sono não viria... simplesmente aterrorizante.


Atualmente eu estou dormindo a noite toda. Digamos que voltei ao normal. Só tem um pequeno detalhe: eu tenho a nítida impressão de que as sensações que eu tinha no sono, e de sono, antes da minha fase insone eram diferentes... eram melhores, mais gostosas. Talvez seja o trauma que ainda não passou... talvez alguma parte do meu cérebro esteja "queimada"... mas é diferente.


Eu já li que tem pessoas que passam cerca de 70, 80, 90 horas sem um minuto de sono... só sei que agora que eu experimentei um pouco disso acho essa idéia extremamente apavorante. Tenho pena delas...


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Karmaval

Carma ou karma (do sânscrito कर्म, transl. Karmam, e em pali, Kamma, "ação") é um termo de uso religioso dentro das doutrinas budista, hinduísta e jainista, adotado posteriormente também pela Teosofia, pelo espiritismo e por um subgrupo significativo do movimento New Age, para expressar um conjunto de ações dos homens e suas consequências. Este termo, na física, é equivalente a lei: "Para toda ação existe uma reação de força equivalente em sentido contrário"

É mais ou menos o que acontece quando se passa 4 dias de paz e sossego, assistindo a filmes, lendo livros, vendo séries na TV e nadando na piscina. Aí, no retorno ao lar, existe um trio elétrico plantado na frente de casa e centenas de foliões participando de uma festa que acontece na quarta-feira de cinzas de todo ano única e exclusivamente nesta rua...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Samingo



Essa já é batida pra quem me conhece há algum tempo...

Um feriadão desses faz eu perceber que um fim de semana de dois dias é insuficiente para que um ser humano relaxe completamente.

Geralmente se tira o sábado para resolver coisas: compras, limpeza, curso... e de qualquer forma a pessoa ainda não relaxou completamente daquele último dia de trabalho em que teve algum abacaxi pra responder. Sobra o sábado à noite, mas aí já é quase domingo...

O domingo a pessoa tem que escolher: ou descansa ou se diverte. Os dois é impossível. Se saiu na noite do sábado então agora o negócio é descansar. Mas isso só até de tardezinha, quando vem aquele nozinho na garganta de saber que amanhã você já tem que acordar cedo para trabalhar/estudar.

O fim de semana de três dias seria glorioso, e o dia do meio, o "samingo", seria o mais fantástico de todos. Aquele em que você não estaria nem estressado com o dia de ontem e nem preocupado com o dia de amanhã.

No dia em que eu for presidente eu instauro o samingo... (nem que seja numa aventura de RPG)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

E volto mais uma vez...

Infelizmente não consegui migrar meu antigo blog pra cá. Até tentei mas tá complicado.

De qualquer forma a nova tentativa (esse já é o meu 5º endereço de blog) é sair daquele velho diarinho ou daquelas tentativas frustradas de ter uma legião de seguidores que me comentassem todo dia...

Esse daqui é meu... meu espaço... meus textos. Um grito revoltado para afirmar a minha identidade. Fugir de um paradigma. Finalmente este sou eu?

Ficções? Contos? Fábulas? Crônicas? Loucuras? Quem sabe um pouco de cada.