quarta-feira, 25 de março de 2009

Cogito, Ergo Sum um FDP

Navegando na net eu me deparo com esse retrato do grande pensador René Descartes:Eu não sei porque eu fico com isso na cabeça... me perdoem se eu não conseguir explicar...

Mas essa fisionomia dele, esse olhar cínico e superior... a impressão que me passa é que ele é do tipo professor de universidade, que você vai lá falar com ele (com toda a educação e justificativas plausíveis) pedindo uma nova data pra entregar um trabalho.

Daí ele, impassivo, olha pra você e simplesmente diz: "O trabalho é para ser entregue hoje. Se não entregar fica com zero."...

Alguém tem a mesma impressão?

... professor FDP.

domingo, 22 de março de 2009

Parte de mim ou "só sei que nada sei"

Uma das verdades sobre mim é que eu sei um pouco de tudo e muito de nada...


Talvez por gostar muito de ler eu tenha um leque bem amplo do que se chama de "conhecimento inútil". Pergunte uma curiosidade pra mim que eu vou saber ou já vou ter ouvido falar.


Mas quando se trata de algo específico, mais aprofundado eu dificilmente vou lidar bem com isso. É por essa razão que nunca me saio bem tentando esclarecer uma dúvida jurídica de alguém ou em uma discussão sobre o mesmo tema (só um de vários exemplos possíveis).


Não acredito que seja apenas com assuntos que me interessam pouco. O mesmo tipo de constrangimento já foi passado ao tratar de bandas, histórias, enfim, de temas que eu gosto.


Acho que a única coisa que eu conheço mais aprofundadamente, e mais do que ninguém, sou eu mesmo. A minha natureza e o meu interior.


Engraçado... ainda assim é o que me leva às maiores dúvidas.

sábado, 21 de março de 2009

Já aconteceu...

É um terreno nevado.

Uma imensidão branca. Nenhuma presença viva. Talvez o ser humano nunca tenha pisado nesse solo ou mesmo visto essa paisagem.

As únicas coisas que contrastam com o branco absoluto são o pálido azul do céu e poucas rochas negras que despontam aqui e ali.

Exatmente nesse dia não estava nevando. Exatamente nesse minuto o vento está parado. O Silêncio que ali se faz só pode ser comparado ao de um ponto isolado do espaço sideral. Nenhum ser humano seria capaz de "ouvir" esse silêncio, afinal de contas sua respiração, sua pulsação, a atividade de suas células quebrariam o vazio sonoro.

E de repente aconteceu. Naquele ponto isolado, naquele deserto gelado.... Aquilo foi tão extraordinário. Um superlativo do que qualquer compreensão possa chamar de fantástico.

Durou pouco tempo - talvez apenas o tempo necessário - e acabou.

O que era? Eu não sei, nem você, nem qualquer pessoa... Afinal, ninguém presenciou tal momento. Ninguém presenciou tal fato...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Originalidade uma quimera

Um dos maiores bloqueios que eu tenho quando quero escrever é a dificuldade em ser original.


Sempre acabo pensando em uma idéia que alguém já teve, ou como seria legal ter a idéia antes... Quem me dera ter  a imaginação e disposição do tamanho da de Tolkien pra criar um mundo inteiro em várias eras ou a loucura dos roteiristas de lost pra criar uma coisa tão montanhosa como aquela série.


Conversando sobre o assunto com um amigo ele me esclareceu o ponto de vista dele, com o qual eu concordo, de que,  em geral, ninguém cria nada 100% original. Tudo o que uma pessoa imagina ou inventa tem a ver com as experiências que teve (os livros que leu, as coisas que aprendeu, que viveu).  Nem Tolkien foi original. Ele se baseou na mitologia nórdica para criar seus elfos e anões, e os roteiristas de lost tanto se inspiram que fazem questão de mencionar de forma implícita o que os inspirou (menção a personagens de stephen king, teorias metafísicas de stephen hawking, etc). É praticamente impossível ser uma tábula rasa e aparecer com algo genial. O que torna algo original são os detalhes...Aliás, pelo visto a "cópia que gera originalidade" não tem limites... Se não houvesse Tolkien, não haveria Dungeons & Dragons, se não houvesse Dungeons & Dragons não haveria o Desenho que marcou a infância de toda a minha geração: "A Caverna do Dragão..."


Convencido de que original é pegar algo feito e colocar ali a sua marca, deixando perfeito para si, eu vejo que não devo me preocupar tanto com isso. Aliás, preocupação em excesso deve ser o que mais prejudica a criatividade e, portanto, a originalidade.


Eu me lembro do começo da faculdade, em que eu inventei, sem pretensão nenhuma, um personagem chamado "Bolinha Feliz" e várias tirinhas tendo ela como protagonista. Nada de muito elaborado, só um humor inocente e nonsense, mas que todos os meus colegas que viram gostaram...


E por falar em falta de pretensão, coincidentemente acabo de me deparar com este video na internet: Ben, um garoto de 14 anos, vendo como iminente o fato de seu pai perder o emprego, criou um video contando rapidamente essa história e pedindo um emprego para o seu pai de uma forma bem original



Pois é... a originalidade desse garoto é inspirada em um clipe da banda INXS que por sua vez foi inspirado por um video do cantor Bob Dylan... e por aí vai.

terça-feira, 17 de março de 2009

Endorfina em alta



Pedindo licença para roubar parcialmente o tema do post de uma amiga.

Em geral, depois da idade adulta, o homem começa a desenvolver a famosa barriguinha.

Já tem uns 7 anos que eu cultivo a minha e, entre um período de musculação e outro, nunca consegui perder. Digo entre um período e outro porque, pelas minhas contas, já fiz academia umas 5 vezes distintas. A que durou mais tempo foi uns 4 meses.

Nessa minha nova fase de vida, em que eu dei um chutão nos estudos, acabei tendo horas de ócio improdutivo, entediante e deprimente. Me decidi então por fazer um esporte.

Pois é, de um fui pra dois. Me inscrevi pra natação e musculação. Três dias por semana cada uma, sendo que em um dia faço os dois. A primeira semana é a comprovação do quanto se está fora de forma: dores... cansaço.. cãibras ... pessoas ao redor que não têm barriguinha...

Agora estou na terceira semana e estou adorando. Eu senti a endorfina. Ela existe! Andei lendo por aí que a endorfina é equivalente a uma droga opióide que tira a dor e estimula centros de prazer (inclusive diz-se que etimologicamente é a junção das palavras "endo" e "morfina"). Não faz mal por ser produzida no próprio organismo a medida que fazemos o exercício e necessitamos dela.

Não, eu não tenho me sentido um drogado. Não ando dizendo para os colegas de academia que eu os amo ou fico curtindo o incrível movimento do ventilador. Mas a verdade é que eu saio do exercício com uma incrível sensação de bem-estar, achando a lua bonita, achando as ruas bonitas, com vontade de cantar uma bela canção (nada fora do controle, claro).

A endorfina está sendo minha amiga e inclusive eu já me sinto um pouco viciado nela. Pela primeira vez em muito tempo eu tenho motivo pra querer que a semana comece: aquela sensação.

Eu sei que eu já passei por isso antes e acabei desanimando e desistindo. Mas espero manter dessa vez. Agora sou mais adulto, tenho mais noção do que quero e não tenho desculpas como estudar para a OAB ou fazer uma monografia para me tirarem disso.

E a natação. Poxa, quem diria, depois de 18 anos que eu fosse gostar de natação. Pois é. Quando eu tinha 9 anos fiquei traumatizado com um professor sacana que eu tinha que, por exemplo, ria quando eu tentava fazer alguns nados. Mas agora até o cheiro de cloro me faz falta (e não tem nada melhor do que se exercitar na água em uma cidade como mossoró).

Por enquanto eu ainda não faltei nem um dia e espero manter a animação.

Comecei os exercícios pelo físico e pela saúde, espero me manter pelo bem-estar... A ironia do exercício físico é que o que deveria nos cansar é o que dá mais disposição...

Finalizo aqui dizendo que nada pra mim parece vir fácil... acabou que ontem a piscina do SESC teve um problema em sua estrutura e está interditada sem previsão de retorno. Por enquanto vou ficando só na musculação, mas ô raiva, viu?

sexta-feira, 13 de março de 2009

Quando crianças ou o nosso cérebro não conhece o desconforto, ou simplesmente não há desconforto...
Um bebê ou criança de poucos anos pode passar a noite inteira com a fralda cheia de xixi, ou ficar brincando mesmo estando cagado há meia hora... A criança é capaz de dormir segurando um chocolate, mesmo que esteja sentada...
Enquanto nós, adultos, se chegamos suados da rua queremos logo tomar banho por ser muito desconfortável ficar assim, e achamos muito difícil dormir em uma cama bagunçada... aliás, a insônia é algo que acontece só com adultos também.
Podemos perceber além de tudo que quando criança só sentimos dor se tomamos um cascudo do irmão mais velho, se ralamos o joelho, e coisas assim... adultos temos dor de estômago, dor na coluna, dor de cabeça, dor nas juntas, dor no joelho, dor no dente, dor o dedinho, dor no cabelo... :p.
Não deve ser só por todos os órgãos serem mais novos, mas também pelo fato de estarmos cobertos por uma camada de "fofura" (se é que posso chamar assim). Quando pequenos a caminha é confortável, o lençolzinho é confortável, a roupinha é confortável, a areia é confortável, o mingau é confortável..

Saudades do conforto e da "fofura"...

Post publicado por mim em novembro de 2005 no antigo blog

Nota de revisão: não confundir "fofura" com "gordura". Depois que ganhei uns quilinhos a mais não senti mais conforto, muito pelo contrário.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Quero mais tempo para o tempo

(legal que com a reforma ortográfica que tirou o acento de "pára" esse título ficou ambíguo)




Hoje é quinta-feira, e eu podia jurar que ontem foi domingo.

Não estou falando de forma literal, mas também não estou brincando. O tempo está passando cada vez mais rápido!

Eu me lembro de quando eu tinha de 7 pra 8 anos o ano de 89 demorou uma eternidade pra acabar, e agora a sensação que eu tenho é que o ano começou semana passada...

Quando eu estava com 16 anos tentei teorizar isso. Chamei de "teoria da relatividade sensorial". Claro que de teoria não tinha nada. Não cheguei a fazer estudos nem pesquisa e nem mesmo problematizei a hipótese. Foi apenas a constatação perceptível de um fato... que acontecia comigo. E que provavelmente acontece com todo mundo, mais eu não sei.

Talvez eu seja apenas um leigo falando besteira e isso tudo já faça parte de estudos de psicologia e neurociência, mas eu precisava falar que to cada vez mais pasmo com isso.

Talvez tenha a ver com a proporção: quando eu tinha 5 anos um ano era 1/5 da minha vida. Realmente muita coisa. Agora que estou com 27 anos, um ano é 1/27 da minha vida! É como se a impressão de um ano que eu tinha aos 5 anos fosse o equivalente a 5 anos e 3 meses pra mim atualmente. Ou como se o que eu sinto de um ano agora fosse apenas uns dois meses e alguns dias para a sensação que eu tinha aos 5 anos.

E será que isso não vai ter mais limites? Se for assim, levando em conta a sensação temporal que um ano está significando pra mim hoje, e que exponencialmente cada vez ele vai significar menos, a sensação de um ano passado hoje vai acabar sendo a época em que meu filho vai estar indo à escola... mais um desses anos e ele vai estar casando... e com mais um eu vou estar com meus netos e perto de morrer...

Estava pensando neste post desde ontem e acabou que eu não fiquei satisfeito com ele... e sabem o que é pior? Escrevê-lo me tirou tempo... tempo que eu não podia perder porque ele acaba!

Então vou completar essa idéia com outra antagônica. O tempo não existe. Se você está parado num ponto no meio do espaço, longe de qualquer planeta e de qualquer movimento de rotação e translação quantos minutos, horas ou dias estão se passando? Se não há referencial (um pêndulo, um sol nascendo e se pondo, um objeto em velocidade diferente da sua) não há tempo. O tempo é uma criação... feita pra coincidir com forças físicas e químicas e com nosso ciclo biológico. Na verdade todas as épocas existem. Ponto. É a 4ª Dimensão.

Na verdade eu não sou físico... nem astrônomo... nem nunca cheguei nem perto de ter algum conhecimento profundo disso tudo. Mas de uma coisa eu tenho certeza, e vocês podem perceber: o tempo me deixa louco.